sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ensino no México X Brasil

Gostaria de registrar as dificuldades e diferenças que estou tendo e vendo no ensino.
Eu, sendo professora, alfabetizadora, sempre me encantei e me encanto com a mágica que acontece quando uma criança começa a ler e escrever, seus olhos se abrem para o mundo.
No Brasil, quando uma criança ingressa na escola, caímos numa burocracia de regras que, para o ensino não tem tanta relevância assim, ao meu ver. Nas escolas públicas municipais, por exemplo, a idade, colocam uma data limite e a criança que passar dessa data tem que ingressar num ano anterior ao que suas capacidades permitem. A prioridade para o governo é que as crianças não fiquem fora da escola, e para isso lhes dão uniformes, café, almoço e material escolar. As professoras destinam muito tempo "cuidando" das crianças, e pouco de ensino efetivo, além do horário do turno que tem a duração de 4 horas e os pais podem escolher o turno que querem que os filhos estudem.
Aqui no México, é visto a idade também, mas antes de tudo é feito uma avaliação psicopedagógica com a criança que deseja ingressar na escola, e ver o nível de aprendizagem da mesma. Conforme essa avaliação, lhes é indicado um acompanhamento, ou o que seja necessário para acompanhar o programa e os métodos da escola.
Essa sondagem é feita no final do ano letivo para alunos novos que desejam ingressar na escola no ano seguinte.
Tenho visitado escolas particulares e todas são bilíngues e a nível de conversação, desde a idade de 3 anos, quando entram na série que chamam de Kinder. A proximidade com os Estados Unidos lhes impulsiona a estudar uma segunda língua, outras investem também em francês e italiano.
Aqui o ano letivo inicia no final de agosto, porque de junho a agosto é o verão e as famílias viajam para as praias, e as férias do meio do ano letivo são nas festas de Natal e Ano Novo.
A organização e a segurança são impressionantes, para deixar o filho na escola, tem um portão de entrada,  onde o responsável deixa a criança com sua professora, de preferência de carro, e sai pelo outro portão. No final da aula é feito o mesmo processo, com a diferença que só pode pegar a criança quem tiver uma identificação de permissão e a professora lhe entrega o aluno.
O turno de estudo, desde kinder até o fundamental, é pela manhã, das 7:30h às 14:30h, com opções de atividades extras depois do horário, para pais que trabalham, ou optam para que façam algum esporte, dança, etc.
O investimento nas crianças e para que tenham uma boa base de estudos é prioridade nas famílias daqui, e a escolha da escola é feita pela tradição, conquistas e pelo que vi não há reprovação, se o aluno não está conseguindo aprender, é oferecido várias opções para que ele possa acompanhar e aprenda, e não somente avance, como querem no Brasil, mas que a criança tenha aprendido até que se esgote as possibilidades.
Tem muitas escolas menores que trabalham só com as dificuldades e também na escola regular, é oferecido professor particular para ajudar nos estudos, quando há necessidade, com custo adicional, é claro.
Enfim, pude observar até agora que a exigência do ensino tem um suporte muito bom para os alunos e os pais, por outro lado, lhes acompanham em tudo, inclusive com atividades em casa. A maioria das escolas dão tarefas para casa quase todos os dias da semana, deixando livre somente os finais de semana.
O povo mexicano é muito educado, respeitoso e acolhedor. Em seus costumes é bastante tradicional e se orgulha disso também, têm muitos monumentos que contam e registram sua história e crescimento. É bem competitivo, trabalhador e por isso quer o melhor para seus filhos, pensando sempre no futuro deles e do país.
Estamos perto das eleições aqui, e a preocupação com a segurança, tem sido o carro-chefe dos candidatos, e como aqui já tem a pena de morte, agora eles querem a prisão perpétua para os sequestradores. São rígidos nesse aspecto e assim tentam manter a segurança e organização do país. Tem muitos índios e na sua maioria, pobres, mas nem por isso, menos trabalhadores, são esforçados e lutam pelo que querem.
O governo não fica lhes tratando como "coitadinhos" e ficam lhes dando tudo de mão beijada, como no Brasil, é só ter bastante filhos para ganhar mais ajudas com as bolsas-família, vale-gás, etc.
É preciso ensinar nossos filhos pelo exemplo e a resposta está na base da família, a escola tem sua função bem definida.




Um comentário:

  1. Realmente, amiga, bem diferente! Ameiii este post. Aprender sobre outras culturas, assim, contada por pessoas que conhecemos bem, torna muito mais interessante e real. Parabéns, continue contando mais e mais!!!! Beijinhossss

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